sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
último dia de aulas
É a última vez que tenho um último dia de aulas do 1º Período. Está um frio de rachar e vim a pé do liceu até casa, como normalmente. Com a ausência de iPod, a minha cabeça começa a tocar música por ela própria. Olhei para o céu, preto, iluminado por postes de luz laranja. Nas ruas carros sempre a passar, gente quase nenhuma. De repente, vi o mesmo cenário, todas as mesmas coisas com outros olhos. Tinha voltado ao 8º ano. As roupas completamente diferentes, o cabelo, a altura e o peso também. Lembro-me de passar pelas mesmas ruas, de ver os mesmos postes de iluminação, o mesmo céu negro, de ouvir Bush - Letting the cables sleep, de all star, kispo castanho com pelinhos no capuz, a panca das marcas e a mochila a bater no rabo de cada vez que dava um passo de tão largas que estavam as alças. É tudo o mesmo. A mesma origem e o mesmo destino. O mesmo frio, o mesmo brilho das luzes de Natal apesar de este ano ser quase nenhum, a mesma negridão de céu. É tudo diferente. Os caminhos não são os mesmos porque não vou pelo mesmo. A companhia não é a mesma porque os anos fizeram o favor de a levar. No interior, muita gente atravessou, outra entrou e ficou, outra entrou e saiu mais do que uma vez. Olho para mim naquela altura e olho para mim agora. Há muito que mudei e mudo a cada dia que passa. Apesar das implicações que isso teria, amava voltar atrás no tempo. Tenho saudades do que era e só porque tenho saudades das pessoas que me rodeavam naquela altura.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
pum!
"(...) E dorme em paz/ Que tu não tens de dar o teu sorriso assim/ esgotando o teu juízo assim,/tu não tens de mudar./ Quem te quer mudar,/ não te quer conhecer,/ tu não tens que o fazer"
Não preciso que gostem de mim apesar de não gostar que me detestem. Enfim, há pelo menos um grupo que se mantém firme e o resto não existe.
"Tu pensas que não/ mas tu és mesmo bom/ a ser sempre quem és"
Não preciso que gostem de mim apesar de não gostar que me detestem. Enfim, há pelo menos um grupo que se mantém firme e o resto não existe.
"Tu pensas que não/ mas tu és mesmo bom/ a ser sempre quem és"
domingo, 14 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
tired of tears
Sempre desejei sentir como seria ter alguém a brincar comigo durante as imensas tardes em que imitava as vozes dos meus bonecos. Ouvia a cassete do "Papuça e Dentuça" vezes e vezes sem conta, saltando sempre a parte do urso, sozinha no quarto, e via a cassete d'"A bela adormecida" ou "Pocahontas" outras vezes sem conta que até sabia as falas e as músicas de cor, sozinha também. Raras eram as vezes que a minha mãe jogava um qualquer jogo comigo. O meu pai jogava mais mas desligava menos do trabalho. Sempre quis não ter a necessidade de inventar amigos imaginários com quem falava de tudo. Queria uma pessoa. Queria um irmão.
Era engraçado como todas as pessoas que sabiam que era filha única me dirigiam a palavra sempre com a mesma pergunta: e não querias ter um irmão? Ou: já pediste um irmão aos teus pais? E eu dizia sempre o mesmo: queria/já pedi mas... Sabia que não era assim tão fácil, que não era uma cegonha que os trazia de França e que não podia escolher estas coisas. Uma vez cheguei a escolher um nome de rapaz, tinha eu 7 anos. Ia ser rapaz desse por onde desse. Se ao menos tivesse desenvolvido, crescido, sobrevivido... Agora, com mais 10 anos em cima, fui eu quem escolheu o irmão que seria meu por 3 meses. Pus altíssimas espectativas. Não idealizei mas esperei uma ligação forte, uma ligação de irmãos! Pelas redes sociais, as conversas eram fantásticas... Grandes espectativas sobre o tempo fantástico que iria ser. Uma ligação foi-se esboçando... Mas de esboço não passou apesar de uma primeira semana fantástica e que se desenvolveu num dimunuendo... Agora, a 3 semanas de um adeus digo: espero que o próximo irmão, se houver próximo, seja melhor, seja irmão!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
will you do that for me?
"Quem começou com a brincadeira, quem a inventou, foi o Simão. A Marta ainda morava em Benfica. A Elisa era pequena, o Simão abria os braços e dizia-lhe:
- Dá-me um abraço com a força com que gostas de mim!
A Elisa sorria com os olhos, começava a correr e ia pôr-se, com os braços abertos, muito longe do Simão. Ele fingia que chorava com o choro fingido de uma criança, fingia que esfregava os olhos. Depois de a Elisa acreditar que ele já tinha chorado o suficiente, corria para os seus braços e apertava-o com toda a força. Apertava-o até a garganta começar a fazer o barulho de muita força. Nesse momento, parava e o Simão dava-lhe beijos ruidosos nas faces.
Eu sabia que o Simão visitava a Maria. Eu não falava sobre isso, mas sabia. O Simão fez essa brincadeira também com a Ana. O Francisco começou a fazer essa brincadeira com o Hermes e, depois, com a Íris. Quando o Francisco entra em casa da Maria, procura a Íris, abre os braços e diz-lhe:
- Dá-me um abraço com a força com que gostas de mim!"
In Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto
domingo, 31 de outubro de 2010
hallo halloween
Chove. O crepúsculo é negro, tão negro como as almas das pessoas.
A cama murmura o meu nome e as pálpebras pesam mesmo que ainda seja dia.
Não me apetece sair.
Os livros ficam melhor fechados e apesar dos esforços, os neurónios continuam a trabalhar lentos. O corpo arrasta-se.
E agora? Please, "light up my darkness".
A cama murmura o meu nome e as pálpebras pesam mesmo que ainda seja dia.
Não me apetece sair.
Os livros ficam melhor fechados e apesar dos esforços, os neurónios continuam a trabalhar lentos. O corpo arrasta-se.
E agora? Please, "light up my darkness".
sábado, 30 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
5739

Gostava de poder dizer-te exactamente o que sinto por ti. Como o sol brilha mais, o dia ganha mais cor e eu acordo com um sorriso na cara sempre que sei que nesse mesmo dia estarei contigo. Gostava que percebesses que para mim os contos de fadas só existiam nos livros, os "para sempre" já há muito os guardara na gaveta e estar apaixonada era um estado que só via nos filmes. Mas… Desde Fevereiro que o coração desarrumou definitivamente todos esses pensamentos e não há volta a dar. Não sei porque te amo mas sei que te amo. Verdadeiramente, loucamente e profundamente. Chega?
Subscrever:
Comentários (Atom)
