domingo, 7 de novembro de 2010

tired of tears

Sempre desejei sentir como seria ter alguém a brincar comigo durante as imensas tardes em que imitava as vozes dos meus bonecos. Ouvia a cassete do "Papuça e Dentuça" vezes e vezes sem conta, saltando sempre a parte do urso, sozinha no quarto, e via a cassete d'"A bela adormecida" ou "Pocahontas" outras vezes sem conta que até sabia as falas e as músicas de cor, sozinha também. Raras eram as vezes que a minha mãe jogava um qualquer jogo comigo. O meu pai jogava mais mas desligava menos do trabalho. Sempre quis não ter a necessidade de inventar amigos imaginários com quem falava de tudo. Queria uma pessoa. Queria um irmão.
Era engraçado como todas as pessoas que sabiam que era filha única me dirigiam a palavra sempre com a mesma pergunta: e não querias ter um irmão? Ou: já pediste um irmão aos teus pais? E eu dizia sempre o mesmo: queria/já pedi mas... Sabia que não era assim tão fácil, que não era uma cegonha que os trazia de França e que não podia escolher estas coisas. Uma vez cheguei a escolher um nome de rapaz, tinha eu 7 anos. Ia ser rapaz desse por onde desse. Se ao menos tivesse desenvolvido, crescido, sobrevivido... Agora, com mais 10 anos em cima, fui eu quem escolheu o irmão que seria meu por 3 meses. Pus altíssimas espectativas. Não idealizei mas esperei uma ligação forte, uma ligação de irmãos! Pelas redes sociais, as conversas eram fantásticas... Grandes espectativas sobre o tempo fantástico que iria ser. Uma ligação foi-se esboçando... Mas de esboço não passou apesar de uma primeira semana fantástica e que se desenvolveu num dimunuendo... Agora, a 3 semanas de um adeus digo: espero que o próximo irmão, se houver próximo, seja melhor, seja irmão!

1 comentário:

Ruy Jôrgë disse...

Não preciso de pedir?? Tais como? ;b


<1+2